Ironicamente falando...

Já virou motivo para criar comunidades no Orkut, e por falta de uma, criaram quatro. Mesmo os mais corretos já foram ironicos nem que seja uma unica vez na vida, afinal a ironia faz parte da vida. E não adianta tentar escapar, não. Até porque quem nunca usou e abusou de uma IRONIA que fosse, nem que fosse daquelas bem pequeninas? Quem nunca soltou aquela pequena frase, quando o menino mais mala da escola resolveu fazer uma piadinha com o seu cabelo, que magicamente resolveu acordar de mal com voce, aquele clássico "HAHA, que engraçado!" ou então "Nossa, é verdade? Mas que interessante, eu ainda nao tinha percebido..."?

Afinal, a ironia a qual eu me refiro é a figura de linguagem (afinal, segundo uma breve pesquisa no Google, existem váaarios 'tipos' de ironia: ironia do destino, ironia socrastica ou ironia concisa! Ah meu Deus, por falta de um tipo de ironia, encontrei TRÊS!) onde dizemos uma coisa, quando na verdade o que pensamos é exatamente o contrario daquilo que foi dito. É, algo como 'eu-disse-isso-mas-eu-penso-aquilo'. Meio confuso, é verdade, mas extremamente importante quando não queremos dizer a alguém a nossa verdadeira opinião. Ora bolas, a ironia está aí para isso: pra simplificar a nossa vida em saias-justas que a vida nos põe, principalmente quando a BFF pergunta se o novo corte de cabelo ficou bom ou então que aquela blusa amarela-chocante com detalhes verde-oliva é a blusa perfeita para sair no sabado à noite. Ah, pra quem não tem coragem de dizer o que acha, que é 'Seu corte de cabelo está TERRIVEL!' ou então 'Pelo amor de Deus, tira essa blusa!', basta dizer um 'Ah, você está esplendorosa e vai arrasar!' que tá tudo bem. Tudo certo.

 

Pauta para o PostIt!



14h00 |




where anything can happen

 

 

Um tec-tec de pingos de chuva caiam pesadamente na janela do hospital, quebrando totalmente o silencio que reinava imponente naquele quarto de paredes branquíssimas e totalmente desprovido de móveis, exceto pela presença de uma televisão incrivelmente minúscula, a sua cama de lençóis azuis e os aparelhos que iam e vinham por suas veias e artérias. A cabeça de cabelos incrivelmente negros ainda estava um pouco zonza por conta dos incontáveis analgésicos e calmantes que lhe foram aplicados na noite anterior e sua cara estava completamente inchada. Também, depois de dormir por catorze horas seguidas, só um milagre seria capaz de desinchar seu rosto...

Sono. Os olhos cada vez mais pesados pediam um pouco mais de cama, um pouco mais de sonhos... E quem era ela para impedir o seu corpo que armava uma rebelião violenta por mais algumas horas de 'olhos fechados e cabeça em um lugar tão, tão distante'?

- Ei, senhorita Claire? Claire Banks? – seus olhos se abriram vagarosamente, contrariadamente, e viram o doutor dos olhos claros que cuidara dela na noite passada sentado ao seu lado, olhando-lhe com um carinho quase paternal. – Acho que a senhorita já dormiu demais, você também não acha?

Ela simplesmente acenou a cabeça e deu um pequeno sorrisinho. Ah, se naquele momento ela não fosse dormir, o que mais poderia fazer naquele quarto? Assistir desenhos infantis DEMAIS no Discovery Kids, ou então ficar contando as lajotas do chão do seu quarto de hospital, coisa que não enriqueceria nada ao seu vasto conhecimento. Ah, fala sério...

- Vamos, ânimo! Eu sei que a perda do seu bebê foi algo muito... Muito triste e que não é fácil esquecer um acontecimento desses... Mas bola pra frente garota, você só tem dezesseis anos, e com certeza terá o tanto de filhos que sua imaginação e sonhos quiserem! Ah, já ia me esquecendo: tem um moço ali na recepção que não desgruda do balcão de informações, e que quer porque quer te ver o mais rápido possível. Posso mandar entrar?

- Ah doutor, eu não estou numa situação apresentável, não é mesmo? Mas tudo bem, pode o deixar entrar, afinal deve ser um dos meus amigos da escola ou do curso de francês...

O doutor de jaleco branco e camisa azul, da cor do lençol da sua cama de hospital, deu um sorriso na tentativa de lhe reconfortar e saiu, chamando a enfermeira mais próxima. No caso, uma tal de Anne Klimber. Os seus olhos verdes voltaram a se fechar, como se tentassem dizer "Epa, esquece o que esse doutor disse, deve ser trote. Agora vamos dormir novamente, que muitos sonhos com Las Vegas e praias paradisíacas nos esperam...". E ela estava prestes a se render às suplicas da sua mente, até que a porta se abriu novamente fazendo um rangido que lhe é bastante peculiar, e alguém entrou pela porta, com um volume colorido em mãos.

- Er... É pra você Claire; e espero que você goste. - disse o vulto, até então, misterioso.

Não, ela não estava no seu normal, e mesmo depois que ele disse aquelas palavras, entregou o pacote que mais parecia um buquê de flores do campo (o que ela constatou pouco depois que sim, era um buquê!) e sentou do seu lado, ainda assim ela não sabia quem era. Malditos calmantes...

- Desculpa, mas os calmantes e o bendito sono não me deixam saber bem quem é você. Quem é? – ela deu um sorriso, meio encabulada, e fitava o vulto que aparentava usar uma camiseta azul.

- Ah, ta bom... – mil desculpas, mas era notório o tom de decepção na sua voz. – É o Clark, Clark Daves.

A menina pulou na cama, e quase sentiu cuspir o coração para fora do seu peito: como assim, Clark Daves estava ali para lhe ver? Afinal, Clark era o menino mais bonito da escola, aquele que fazia todas as meninas em sã consciência suspirarem pelos cantos da escola pensando em seus belos olhos negros, o motivo dos sonhos das garotas mais novas e mais velhas, que sonham o ano inteiro com a possibilidade de irem ao baile de fim de ano com ele. CLARK DAVES!

- Ah sim! Oi Clark, e me desculpa não ter te reconhecido: é que eles me deram tanto remédio, mas tanto que eu fiquei meio bocó assim, desculpa mesmo! – dizendo isso, ela deu um riso nervoso enquanto arrumava loucamente, incessantemente o seu cabelo e seu pijama de girafinhas coloridas, uma coisa que podia sumir misteriosamente naquele momento. Pijama de girafas coloridas? Fala séeeeeerio...

- Ok, eu entendo mocinha. E aí, como você está? – ela já conseguia enxergar melhor, e percebera que sua camiseta era verde e não azul como pensara secretamente há alguns instantes atrás.

- Não, até que eu me recuperei bem, melhor do que um dia eu pude imaginar. É claro que eu chorei rios, mas agora eu estou bem melhor, graças a Deus... Er, que milagre é esse que você veio aqui me visitar, afinal as únicas palavras que nós trocamos durante os seis anos que nos conhecemos foram respostas às equações de matemática ou às questões de geografia...

- Ah... – ele riu, encabulado, e a moça de cabelos negros não pôde deixar de notar as bochechas do rapaz corarem instantaneamente, como num toque de mágica ou sabe-se-lá-o-quê. – É que eu não sou muito sociável. Ou melhor, eu sou tímido ao extremo, e você não sabe simplesmente porque todo mundo diz uma coisa que eu não sou: eu não sou fútil como dizem, e muito menos galinha...

- Ah, mas eu continuo surpresa em você vir me visitar...

- Primeiro, senhorita Claire... – e a cada palavra, ele chegava cada vez mais perto dela. E a cada centímetro mais perto do seu corpo, sua mão suava cada vez mais: mais uma ação dos calmantes e analgésicos? – Eu não sou um monstro inescrupuloso, que deixaria de visitar a garota inteligente da sala num momento tão difícil assim. E segundo...

Ele estava perto demais da menina, que agora já estava encostada nos travesseiros fofos e que continham o símbolo enorme do hospital, costurados na fronha de todas as almofadas e travesseiros daquele prédio gigantesco.

- E segundo...?

- E segundo que pra tudo existe uma primeira vez, senhorita Claire Banks, filha de Karen e John Banks: a mocinha de dezesseis anos que adora The Beatles e Elvis Presley, que namorou e engravidou de um cara que nunca mereceu sua atenção. Ótima em matemática e péssima para declamar odes à bandeira. Sim, esta é Claire Banks...

- Afinal, você sabe muita coisa sobre mim, senhor Clark Daves.

- Coisas que você nem imagina; você é que sabe muita pouca coisa sobre mim... Por exemplo, que eu sonhei muito em estar aqui com você, te contando tudo isso... – e dizendo isso, ele beijou os lábios secos da menina, que não sabia mais uma vez se aquilo eram delírios causados pela febre que tivera na noite passada ou mera realidade.

- Er, isso tudo é verdade? – ela fitava os olhos negros de Clark, logo após o beijo. Ainda tonta, ainda sonhadora... – Não sei, eu não consigo acreditar...

- Sim, isso é verdade e não chega perto de delírios causados por causa dos medicamentos, não... Mas se ainda não acredita, bem que poderia sair logo desse hospital e ir comigo ao baile desse ano, pra te provar que isso não é brincadeira, muito menos miragem...

- Bom... Se isso for um sonho, eu prometo que não vou acordar, não antes de ir ao baile com você e te conhecer tanto quanto você me conhece. – ele beijara novamente a menina, que dessa vez sentiu que aquilo não era miragem, tampouco um delírio: era REAL, mais real do que nunca!

Ali, tão próximos como nunca, ela deixava os pensamentos extravasarem: chegarem à Lua e voltarem, no tempo ditado por eles e só por eles. "Mas é a verdade, pra tudo tem uma primeira vez" - Pensou ela.

 

Pauta para o "Once Upon A Time"

 

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PS. eu simplesmente esse novo projeto da Johana, afinal esse blog nasceu com a finalidade de expor EXCLUSIVAMENTE contos e poemas meus, mas devido a circunstancias do destino, acabei pendendo pro lado dos textos dissertativos... é isso, BEIJOS e BEIJOS galerinha ;*



16h31 |




Agora são só lembranças...

Lembrança é aquela coisa que todo mundo tem, assim como pêlos pelo corpo ou então alguma coisa ou pessoa querida. Seja ele de pele negra ou então rosa com bolinhas verdes: querendo ou não nós tínhamos, temos e teremos lembranças até o fim da nossa vida, sejam elas boas ou ruins. Afinal, o normal da vida são seus altos e baixos, e se isso não acontece, procure o médico ou hospital mais próximo, porque alguma coisa errada está acontecendo.

Algumas recordações são guardadas às sete chaves douradas, assim como um tesouro de um importante e lendário pirata, já outras são jogadas aos quatro ventos do mundo, para que todos saibam que o fato Y ou Z aconteceu. Depende da pessoa, depende da lembrança...

Sim, eu tenho lembranças (afinal, eu não sou nenhum E.T que caiu na Terra por acidente, ou mesmo uma estranha sem cérebro e coração!) e muitas são como cartas de amor que nunca chegaram ao seu destinatário. Ou seja, são fatos que aconteceram, mas que ninguém mais conhece além de mim e do meu querido cérebro...

Porem, entre fatos e fotos que ficam desordenadamente guardados na minha memória, certa historia de amor sempre se destaca quando o assunto em questão são recordações, principalmente BOAS RECORDAÇÕES. Não, eu não estou falando de como eu conheci um suposto 'primeiro namorado', que no caso nem existe, ou então de como eu descobri o verdadeiro amor, nada disso! Essa historia de amor era apenas uma amizade verdadeira e pueril que existia entre minha prima, minha irmã e eu, mas que hoje não existe mais, por meras circunstâncias do destino. Ou sei lá o porquê.

Éramos três: as três mosqueteiras ou as três patetas, como preferir. Aquelas que não se viam com tanta freqüência, mas quando isso acontecia era só alegria. E muita dor de cabeça para o meu avô, que não se aguentava com três crianças pequenas e bagunceiras, dentro da MESMA casa! Brincadeiras, códigos, programas de TV que nunca saíram daquele quarto pequeno e bem arrumado e até uma surra de brincadeira que eu levei: tudo isso eram coisas que só acontecia entre a gente, coisas que não eram escritas por nenhum poeta ou escritor renomado, mas que tinha o seu toque de poesia simplesmente por existir entre aquelas menininhas que gostavam de Barbie um sentimento puro e verdadeiro.

Anos foram assim, de uma amizade que crescia em todas as férias escolares, a cada fim de semana passado na casa da avó paterna: e quem quisesse tachar aquilo que a gente vivia como loucura, que assim o fosse. A gente não se importava, afinal tudo o que fazia a diferença para cada uma eram os bolos de fubá que minha avó fazia com uma soberania única e a presença de uma à vida da outra. Ponto final.

Era tudo muito bonito e invejável, mas acabou. Sim, assim do nada, como a morte de alguém querido ou então como um acidente automobilístico, em que um piscar de olhos é muito tempo. Acabou, sem motivo aparente: ou melhor, eu sei bem o que aconteceu. A vida de criança ficou para trás, assim como a facilidade que tínhamos para entendermos que éramos meninas diferentes, mas nem por isso devíamos deixar aquela amizade de lado, ora! No final das contas, a amizade que jurávamos ser eterna acabou cedo demais, talvez por culpa da juventude ou mesmo do destino, que não quis que as coisas fossem assim. Acabou.

E por mais que nós nem conversemos mais e raramente, mas muito raramente nos encontremos em um ou outro evento de família, as lembranças daqueles dias memoráveis que passávamos na casa da minha avó vão ficar guardadas para sempre na minha memória e no meu coração. Afinal, lembranças apenas acontecem e não são esquecidas conforme a vontade lhe vem à cabeça...

Pauta para o Blorkutando



12h38 |




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