Caixa de lembranças

Era uma caixinha de presente florida, pincelada delicadamente pelas cores mais vivas que eu já pudera ver em todos os meus quinze anos de vida: eram tons azulados, róseos, alaranjados e esverdeados se misturando alegremente. Claro que eu poderia guardar qualquer coisa dentro daquela enorme caixa retangular: papéis de carta, livros, souvenires ou mesmo usá-la para presentear alguém. Mas não, ela era a responsável por guardar a maioria das minhas lembranças: tudo estava ali, TUDO.

Eu não costumava examinar e revirar as coisas que eu guardava dentro dela, mas num dia chuvoso e completamente... nostálgico, eu resolvi abri-la e quebrar as regras que eu mesma construí. Quando a tampa se levantou e o interior da caixa foi revelado, eu senti minha cabeça rodar e ver fatos e memórias virem instantaneamente à minha cabeça. Vários objetos familiares se destacaram entre outras nem tão íntimas assim. De certa forma, a melhor parte da minha vida cabia dentro de uma caixa e essa caixa era aquela.

Uma folha de caderno cuidadosamente dobrada e recortada em forma de coração, onde se lia em letras grandes e cursivas o nome de um grande e inesquecível amigo que a distância fez questão de levar embora: ela não foi entregue. Duas figurinhas adesivas de uma novela infanto-juvenil que hoje nem existe mais e também o álbum, que não fora completo e agora estava dobrado e jogado no fundo da caixa: tanto dinheiro que meu pai gastou nesse álbum...

Minhas mãos começaram a remexer a caixa incessantemente, tateando tudo o que encontrava pela frente e colocando tudo ao meu lado, que estava sentada na cama e tinha a caixa sobre os meus joelhos: eram sapatinhos de quando eu ainda era um bebê, botões do meu vestido de festa junina da segunda série e até um trabalho de escola que eu sequer imaginava que ainda existia. É, todas aquelas cores e linhas sinuosas devem ter me conquistado tanto que fizeram com que eu guardasse-o.

- Como eu não mexi nessa caixa antes, hein?! – as memórias de um tempo que aparentemente era melhor iam e voltavam pela minha mente, fazendo meus olhos se encherem de lágrimas ao mesmo tempo em que um sorriso tímido despontou nos meus lábios. Afinal, era bom recordar e ver que a vida é maravilhosa!

Depois de muitos recados e adesivos coloridos, uma foto aparentemente colada por um pedaço de fita adesiva chama a minha atenção antes que eu feche a caixa novamente e devolva-a a estante de madeira.

Delicadamente, eu a puxo do fundo da caixa e é praticamente impossível segurar duas lágrimas teimosas que escorrem pelo meu rosto quando eu finalmente decifro as duas crianças que estavam na foto: eram duas meninas, de cabelos escuros e olhos brilhantes, que sorriam desajeitadamente para a câmera e colocava as minúsculas mãos na cintura, fazendo pose. Uma arvore frondosa e duas grades estavam ao fundo, mas eu sequer sabia que animais estavam naquelas jaulas, que certamente eram do zoológico da cidade.

As garotinhas felizes e despreocupadas da foto rasgada? Éramos eu e minha ‘prima-melhor-amiga-de-infância’, provavelmente num dos diversos passeios que fazíamos quando ainda conversávamos, quando ainda éramos amigas...

Depois de um longo suspiro e uma longa observação da foto, eu sequei uma lágrima que estava presa nas hastes dos meus óculos e coloquei cuidadosamente a foto rasgada sobre os outros pertences da minha história: era doloroso, era nostálgico e confuso demais lembrar aqueles tempos em que corríamos pela rua deserta da casa da minha avó paterna, com os braços abertos e olhos atentos. Pulávamos poças de água da chuva e desviávamos das pedras que apareciam no nosso caminho: nada e nem ninguém podia nos deter.

Eu fechei a caixa de presentes com todo o cuidado possível e deixei aquelas garotinhas olhando para mim, com esperança e alegria transbordando pelos olhos pequeninos: a foto ficou ali, presa naquela caixa de lembranças e sonhos, assim como a nossa amizade que acabou sem por que nem pra que. Ou ao menos eu sequer sabia o porquê da nossa separação, da nossa distância... Ela quis assim: foi ela quem quis que as promessas de amizade eterna fossem quebradas e que os planos virassem apenas lembranças. Então que seja assim...

 

Pauta para o Blorkutando

 

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Hello girls, como anda a vida e as fofocas?  Er... Sim, eu resolvi deixar os PS’s e mais PS’s de lado: sim, aparentemente eu cansei daquela história e resolvi que se eu quiser contar do meu ‘animado e corrido dia-a-dia’ eu vou contar: u-huul, que animação! aaaah meninas, eu sei que o ‘roteiro’ desse texto não parece estranho, mas é que de fato essa história com a minha prima e tudo mais traz... inspiração à minha vida: ao menos essa história serve pra alguma coisa! Tá, eu nunca contei DIRETAMENTE o que aconteceu entre a gente, né?! a verdade é que se eu fosse contar tuuuuuudo, vocês iam acabar dormindo em cima do teclado. Sim, é entediante e chata. Chata.

Mudando de assunto, eu queria falar outra coisa: essa caixinha do texto existe sim, só não existe a foto rasgada (por mais que a história seja verdadeira), o botão do vestido de festa junina e eu não uso óculos. O resto? Existe TUDO e todas essas coisinhas estão guardadas numa caixa de presente florida, assim como no texto! Emocionante.

É isso girls, beijos e muitos mais beijos na ponta do nariz e prometo que não escrevo mais sobre essa prima... Ou melhor, acho que não devo prometer nada pra depois não quebrar a promessa...



18h00 |




Aparência ou inteligência? Eis a questão!

Todo mundo diz que beleza não é REALMENTE importante, muito pelo contrário: o que vale mesmo é a beleza interior, são os sentimentos e as qualidades que a pessoa possui, e que por acaso não são demonstradas com um belo par de olhos azuis ou mesmo com uma barriga definida. Porém, tanto eu quanto você sabemos muito bem que o bonde não corre nessas condições, não mesmo.

Mulheres-frutas e homens viris que viram sucesso de uma hora para a outra, aparecendo em tudo quanto é programa de auditório e de fofoca por uma simples ida à padaria ou por irem à praia tornearem um pouco mais os seus músculos incrivelmente... atléticos. Agora me respondam a seguinte pergunta: essas pessoas ficaram famosas por criarem musicas e melodias capazes de nos fazer pensar e meditar sobre a importância dos pequenos detalhes da vida ou mesmo por ter cumprido com maestria seu papel na novela mais falada dos últimos tempos? Não, os incontáveis holofotes não vieram por nenhuma dessas duas alternativas, tenha certeza disso. Toda essa fama – que, diga-se de passagem, é instantânea, já que basta aparecer outra novidade para que eles sejam jogados para escanteio – veio único e exclusivamente pela superexposição dos seus corpos esculpidos e dos seus músculos bem torneados: sim, agora basta ser bonita e sensual para virar celebridade!

Ok, eu não vou ser hipócrita e dizer que prefiro pessoas desdentadas e que possuam uma ‘linda e sexy’ barriga de chope, não! Mas também vejo que essa supervalorização da beleza e da sensualidade exacerbada está sufocando os verdadeiros sentimentos e dons que as pessoas possuem, já que, sinceramente, é bem mais importante: fala sério, ninguém merece aquelas pessoas que parecem esculpidas pelos anjos de tão perfeitas, mas que quando abrem a boca só saem asneiras, do tipo ‘O que? O Sarney promoveu atos secretos e eu nem estava sabendo?’. Não, tenha CERTEZA que eu não preciso de pessoas extremamente lindas e sem conteúdo do meu lado só pra fazer média, afinal eu não preciso conquistar ou agradar ninguém desse jeito...

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PS. giiiiiiiiirls, que saudade que eu estava de vocês e desse blog aqui; sequer dá para descrever o desespero que senti ao ver os dias se passando e passando e eu não podendo visitar e retribuir o carinho de vocês ;x

PS². gente, só pra explicar que eu não estou dizendo que TODA pessoa bonita é vazia, claro que não (até porque minhas melhores amigas são as mais bonitas da classe e são super inteligentes.)! eu adoro pessoas bonitas e sensuais (na medida certa, ok?!), mas acho que as coisas saíram do controle.

PS³. bom, é isso girls.. beijos e mais beijos coloridos e até breve *:



16h39 |




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